Um projecto de:

O primeiro registo fonográfico em território português


Autor Augusto Hilário (Intérprete)
Tipologia Música
Duração 03m06s
Data 1895
Nº de Catálogo #026
Propriedade Fernandez Hilário

Contextualização

Integrado no espólio de um emigrante português na Venezuela (nascido na Ilha da Madeira), de seu nome Fernandez Hilário, doado ao Centro Fonográfico Nacional Bolivariano Venezuelano, encontrava-se o que os investigadores julgam ser o primeiro registo fonográfico realizado em território continental português: a gravação do Fado Hilário pela voz de Augusto Hilário, no ano de 1895, por ocasião da sua participação na homenagem a João de Deus (no Teatro Dona Maria II, Lisboa, com a presença do Rei D. Carlos) em estúdio não identificado ainda e em circunstâncias igualmente por esclarecer.

O suporte original, um dito "cilindro de Edison" encontra-se presentemente muito degradado tendo sido realizadas transposições de suporte, nomeadamente cópias digitais não remasterizadas (uma das quais foi doada ao Museu do Falso, por Miguel Ângelo Hilário, primo em terceiro grau de Fernandez Hilário).

Um dos elementos surpreendentes desta gravação é a inclusão não de uma mas de duas músicas, sendo a segunda mais conhecida por compor o refrão do que mais tarde será o Hino do Sport Lisboa e Benfica (atribuído a Paulino Gomes Júnior e interpretado pela primeira vez a 16/04/1953 por Luís Piçarra). Terá sido criada - letra e música - para homenagear a recentemente criada (1886) freguesia de Benfica - na qual é voz corrente Augusto Hilário ter tido amizades duradouras e eventualmente descendência.

A qualidade sonora deverá ser entendida no contexto das múltiplas vicissitudes pelas quais a gravação terá passado e pela provecta idade que apresenta.


Música 1
A minha capa velhinha
É da cor da noite escura.
Ela quer acompanhar-me
Quando for p’ra sepultura.

Ela há-de ir contar aos vermes,
Ai, já que eu não posso falar
Segredos luarizados
Ai, da minh’alma a soluçar.

Eu quero que o meu caixão
Tenha uma forma bizarra,
A forma de um coração,
Ai, a forma de uma guitarra.

Música 2
Ser Benfiquista
É ter na alma a chama imensa
Que nos conquista
E leva à palma a luz intensa
Do sol que lá no céu
Risonho vem beijar
Com orgulho muito seu
As camisolas berrantes
Que nos campos a vibrar
São papoilas saltitantes.

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